Viajantes são pessoas confiáveis?

A uma semana atrás nós estávamos em Byron Bay e conhecemos uma menininha de 10 anos e seu pai que estavam tocando músicas no parque em troca de algumas moedas. Ruby é uma pequena artista escocesa super talentosa, que apesar da pouca idade já sabe tocar violão, ukulele, gaita e gaita de fole! O pai dela, Brian, estava nos contando que um dia eles estavam passeando na mata e ela encontrou uns  pedaços de bamboo e começou a montar sozinha uma daquelas flautas peruanas! Os dois estão viajando pelo mundo em um ano sabático e fazendo pequenas apresentações em parques por onde passam. Brian quer que a Ruby tenha experiências diferentes e vivencie o mundo com os próprios olhos antes que ela fique mais velha e tenha que se comprometer mais seriamente com os estudos. Uma história linda e inspiradora.

Depois de Byron eles iriam para Gold Coast. Como eu conheço algumas pessoas por lá, quis perguntar na comunidade se alguém teria um cantinho em casa pra receber eles. Só estando na estrada pra saber como é bom ter um lugar quente pra dormir, com um chuveiro de verdade. A Ruby estava com dor de garganta naqueles dias e como eles dormem em barraca, eu fiquei preocupada em ela pegar friagem e quis ajudá-los. Fiz um post no grupo de Brasileiros em Gold Coast no Facebook contando a história deles e perguntando se alguém poderia recebê-los. Mas o que veio a seguir me deixou um pouco chateada. Muitas pessoas começaram a dar like no meu post e comentar “que legal!”, mas ninguém ainda tinha oferecido ajuda. Até que uma menina comentou perguntando se eu achava que eles eram de confiança. Aquela pergunta partiu meu coração.

Eu sei que no Brasil nós temos um pé atrás com tudo e que não da pra sair abrindo as portas da sua casa pra qualquer um que apareça. Mas esse pai esta levando sua filha para o mundo para aprender alguma coisa, para ensinar algumas lições de vida, para fazê-la experienciar coisas incríveis que só quem viaja entende e conhecer pessoas boas. Como alguém pode achar que há alguma má intenção nisso? Nesses 2 anos morando fora, se tem uma lição que a Austrália me ensinou foi: primeiro confiar. Se alguma coisa acontecer, você desconfia. No Brasil infelizmente é ao contrário, nós desconfiamos e duvidamos de tudo, até que a pessoa ganhe a nossa confiança.

Mas também não quero dizer que isso é coisa só de mentalidade brasileira e que na Austrália não existe esse preconceito. Na época que dividíamos casa com uma australiana, um dia ela veio falar que queria alugar o quarto de visitas para fazer uma grana extra. Nós sugerimos que ela colocasse no Airbnb porque isso seria uma experiência bacana pra todo mundo, estaríamos conhecendo viajantes do mundo todo e vivenciando essa troca de conhecimento. Mas essa não era a opinião dela. Ela não queria abrir a casa pra viajantes porque aquela casa era “tudo” o que ela tinha e ela tinha medo que as pessoas fossem roubar as coisas dela. Não que ela tivesse muitas coisas, era mais como se alguém fosse sair pela porta da frente carregando o sofá dela nas costas.

Sobre o meu post no facebook, eu tive 169 likes e 4 pessoas que comentaram oferecendo um quarto pra eles ficarem. Dessas 4 pessoas, apenas 1 menino de fato respondeu a minha mensagem, que foi onde eles ficaram. Esse cara abriu a casa dele para essas pessoas que ele nunca viu na vida, sem questionar e sem querer nada em troca. Esse cara acreditou que essas pessoas eram boas, que o ser humano é bom. E tenho certeza que pra ele, conhecer a Ruby e o Brian foi uma experiência incrível também, assim como foi pra gente.

Nós já recebemos viajantes em casa que nós nem conhecíamos e isso nos permitiu fazer parte de uma das histórias de viagem mais inspiradoras que conhecemos! Com aquela experiência nós tivemos uma troca cultural enriquecedora e ainda ganhamos amizades que vamos levar com a gente para o resto da vida. E é essa a mensagem que eu quero passar com essa história. Acredite que as pessoas são boas. Esteja aberto a conhecer pessoas novas, esteja aberto a ter novas experiências. Confie. Ajude sem esperar por algo em troca. Essa energia de troca é muito enriquecedora e você vai se surpreender com as coisas lindas que o universo vai te trazer de volta.

Para quem quiser acompanhar a viagem da Ruby, esse é o blog.

 

26 anos, aquariana, instrutora de yoga e reikiana. Nasci em Curitiba, mas sou do mundo. Amo os animais, cristais e natureza. Gosto de pintar mandalas e criar artes com papéis. Sou super otimista e acredito que a felicidade é para todos!

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2 Comments

  1. Gostei da matéria. Viajando fora do país, vi que é comum muitas pessoas receberem as outras em casa. Isso não vejo com frequência no Brasil.

    1. Que bom que gostou :) Eu não sei te dizer se no Brasil isso acontece mais ou menos, mas acho que depende muito também do estilo de viagem que a pessoa ta tendo né… Nós temos um casal de amigos que esta viajando pela América do Sul (Brasil inclusive) de kombi e eles receberam muitos convites pra ficar na casa das pessoas! O blog deles é http://www.esmeraldaviajante.com/ se quiser conhecer :) Beijos!!!

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