A parte difícil de largar tudo e ir morar fora

Faltam apenas 10 dias para embarcarmos e estamos na reta final para resolver nossas coisas no Brasil. Estamos correndo atrás de tradução juramentada, organizando nossos documentos e principalmente vendendo as coisas que ainda temos no nosso bazar.
As últimas semanas tem sido uma loucura e estamos lidando com isso junto com uma mistura de sentimentos: empolgação, felicidade, ansiedade, saudade adiantada, frio na barriga, tudo.
A palavra que mais ouvimos nas últimas semanas de amigos e pessoas que vem comprar no nosso bazar é coragem. “Nossa, vocês tem muita coragem de vender tudo e ir embora. Gostaria de ter coragem para fazer o mesmo”.
Não é que nós sejamos super corajosos. Apenas tomamos a decisão de dar o primeiro passo. O que nos espera lá fora é um mundo desconhecido. Muitas pessoas tem o sonho de morar fora do Brasil e acham que quem decide fazer isso começa a viver um mar de rosas. Mas acontece que também temos as nossas angustias e incertezas.
Outro dia uma amiga me perguntou se eu tinha medo. Eu tenho sim muitos medos. Tenho medo de não gostar da minha nova cidade, tenho medo de não gostar da minha casa, do meu trabalho, da minha escola. Tenho medo de não aguentar de saudade da minha família, medo de não gostar da comida e do clima. Nós temos a nossa insegurança e ao mesmo tempo temos também a expectativa da vida maravilhosa que esta nos esperando do outro lado do mundo.
Esse período de mudança que estamos vivendo já passou por várias fases. A primeira foi a fase da empolgação, quando tomamos a decisão de ir para a Austrália e tudo era um lindo sonho distante.
A medida que a data de partida foi se aproximando, lançamos o nosso bazar pra começar a vender as coisas da nossa casa. Isso foi a mais ou menos dois meses atrás e foi a primeira parte difícil. Lembro do primeiro dia que começamos a fotografar nossas coisas e eu não aguentava fazer isso por muito tempo, pois logo começava a chorar. Ainda estava muito apegada ao material, então fotografávamos um pouquinho por dia. Depois de ter tirado foto de tudo, ainda levamos duas semanas pra ter coragem de lançar o bazar. Eu pedia para o David “podemos esperar só mais um dia?”. A ideia de vender todas as nossas coisas me dava um baita frio na barriga e um pouco de tristeza.

Até que lançamos o bazar. E vendemos a primeira coisa. E a segunda. E aí começou uma outra fase que foi a fase da empolgação. Ficamos muito empolgados com o sucesso do bazar e com o benefício financeiro que isso começou a trazer para a nossa viagem. Rapidamente nos desapegamos dos nossos objetos e começamos a ficar felizes em vende-los.

Um pouco depois disso veio uma fase bem estressante que foi quando precisávamos juntar dinheiro para pagar o nosso curso de inglês e correr atrás dos documentos para tirar o nosso visto. Nossos prazos estavam se esgotando e precisávamos resolver tudo muito rápido. Era uma correria atrás de documentos que não tivemos tempo de parar para pensar que a nossa data de partida estava bem próxima.
Tendo resolvido a parte burocrática, chegou a crise dos 30 dias. No dia 25 de fevereiro, faltando exatamente um mês para o nosso embarque, eu surtei. Fiquei triste, chorei, comecei a sentir a saudade antecipada da família, os medos começaram a aparecer e eu comecei a me perguntar: por que eu estava sofrendo, se estamos fazendo uma coisa que queremos tanto?
Bom, acontece que tudo na vida tem o seu lado bom e ruim. E apesar de ir morar na Austrália ser uma baita de uma oportunidade, um sonho, uma coisa maravilhosa, tem sim o seu lado difícil e sofrido. Nós estamos indo sem uma data certa para voltar. Eu não sei se vou conseguir passar o natal com a minha família. Nós não vamos estar aqui nos aniversários e almoços de domingo. Nós temos uma afilhada de apenas 4 meses e não sabemos se quando voltarmos ela já vai estar andando ou falando.
Então nas últimas 3 semanas que temos no Brasil, começamos a fase das despedidas. Estamos tentando aproveitar ao máximo o tempo que ainda temos com nossa família e amigos. Fazemos almoços e jantares sem precisar de um motivo, visitas apenas para jogar conversa fora e tudo que podemos para ficar perto de quem amamos. Afinal, ninguém disse que resolver ir morar do outro lado do mundo seria fácil né?
26 anos, aquariana, instrutora de yoga e reikiana. Nasci em Curitiba, mas sou do mundo. Amo os animais, cristais e natureza. Gosto de pintar mandalas e criar artes com papéis. Sou super otimista e acredito que a felicidade é para todos!

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